sexta-feira, 15 de abril de 2011

Esse eu escrevi

Pressões

"Multidão e gritos, palavras de ordem em frente ao portão"*. Ninguém se perguntava, todos queriam entrar, mesmo sem saber o que os esperava.
Wagner, lá dentro, procurava concentração. Seus pensamentos se perdiam. Quando conseguia voltar ao trabalho, era outra confusão, outro barulho, outro infeliz que sofria os rigores da força armada.
Quando tinha tempo para pensar por seus próprios princípios, achava absurda aquela situação. Preocupavam-se com medos bobos, enquanto havia verdadeiros dragões assassinos atacando por todos os lados.
A guerra de Wagner era travada por dentro, eram os dragões lutando para sair. E ele, que por fora aparentava ser dócil e frágil, era uma verdadeira fortaleza, indestrutível. Uma prisão inviolável. Uma gaiola anti-inflamável contra dragões cuspidores de fogo.
Seus dragões interiores se matavam em busca de fuga e destruíam tudo. Mas seu corpo não deixava transparecer nada. Quem olhava aquele rapaz atrás da máquina de escrever, suas pilhas de papéis, levando um susto cada vez que o capitão gritava uma nova ordem, não imaginava o que Wagner tinha por dentro.
Mas tudo é imprevisível. Um dragão muito grande, esperto, forte e cruel ainda há de encontrar um escape.

*Trecho com autoria de W. Rodrigo Felipe